Estou na janela da esquerda, em um dos assentos do meio. São 06:45 e eu observo tudo atentamente. Quem entra, quem sai. Todos estão exaustos, com olheiras fundas. Cada um senta e olha para seu celular. Não consigo me lembrar quando tudo começou a ficar assim. O transporte carrega pessoas sem rosto. Só eu não quero me distrair. Na verdade, nem se eu quisesse.

ASSENTOS DO MEIO